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Redação do ENEM 2017 surpreende e levanta discussão sobre inclusão de surdos

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O tema da reda√ß√£o do ENEN nesse domingo pegou muita gente de surpresa, pela inesperada proposi√ß√£o de um tema pra l√° de incomum, mas principalemente pelo pouco interesse e/ou contato da grande maioria dos cidad√£os brasileiros com uma por√ß√£o significativa da nossa popula√ß√£o, ainda muito discriminada e marginalizada na intera√ß√£o social. Observamos, hoje, o quanto ainda precisamos avan√ßar, sim se faz necess√°rio, no processo de integra√ß√£o e inclus√£o dos surdos no conv√≠vio social. O aprendizado da linguagem de sinais, por que n√£o disciplina integrante da grade curricular nas escolas, parece-nos, talvez, a √ļnica forma de garantir efetivamente que estas pessoas possam se comunicar em quaisquer ambientes, no conv√≠vio do dia a dia.

Reproduzo abaixo um texto que recebi via redes sociais quem em muito nos faz refletir sobre a relev√Ęncia do tema proposto no ENEM e de quest√Ķes que ele provoca em t√£o boa hora.

Hoje, somente hoje,do Oiapoque ao Chuí o povo surdo brasileiro inquietou e desafiou a comunidade estudantil que participou do exame do ensino médio - ENEM.

Para começo de conversa ser surdo é diferente de ser deficiente auditivo. Surdez , na vertente antropológica, é acima de qualquer coisa identidade construida a partir do uso de uma língua de sinais e da vivência na comunidade e cultura das pessoas que se expressam usando o canal visual- motor.

Mas, foi hoje, exatamente hoje que no Brasil, ainda que de forma tardia, muita gente gostaria de saber MUITO e MAIS sobre a vida socio-educacional dos indivíduos/sujeitos/cidadãos /alunos surdos, que ainda marginalizados linguisticamente são, muitas vezes,também, invisibilizados e minoritarizados , mesmo estando ao nosso lado no mesmo espaço físico - social.

Hoje, definitivamente hoje, as algemas linguísticas foram desatadas das mãos dos homens surdos do nosso país e colocadas "literalmente" nas mãos dos falantes da língua oral-auditiva.Hoje,acredito, os SURDOS foram apresentados "lindamente" aos escritores ouvintes brasileiros. Penso, que ainda hoje, por curiosidade, medo e até mesmo pelo desejo de rever e repensar o que escreveu ou não escreveu na redação, a população "enenzeira" ficará sabendo que a LIBRAS (o idioma que se vê) é a segunda língua legalizada no Brasil através da Lei 10.436/2002 , regulamentada pelo decreto 5626/05.Que o ENEM traz a certeza de que o Congresso de Milão ainda existe, apesar de paradoxalmente, ter acontecido no século XVIII.

Que o HOMEM surdo sempre falou e mostrou na pr√°tica educacional das escolas brasileiras os " Desafios para a forma√ß√£o educacional de surdos no Brasil ‚ÄĚ e na nossa cidade, mas para isso, sempre optamos pelo fechamento dos olhos e das m√£os, ou seja, n√£o era importante ou proveitoso olhar para a forma peculiar e intrigante que a sabedoria e o conhecimento de mundo e da vida, emergiam nas m√£os do colega surdo . Por outro lado, em quest√Ķes relacionadas a esse povo, sempre optamos pelo refor√ßo do descaso - Aprender Libras? Pra qu√™? Essa lingua n√£o tem import√Ęncia ou serventia e por isso nao faz parte da grade curricular do ensino b√°sico.

Mas hoje, pontualmente hoje, gostaríamos de sabiamente ter escrito pelo menos aquelas 25 linhas, sobre a educação do amigo/colega ou do desconhecido surdo e, assim, dormir tranquilo, por compor a redação exigida pelo exame.Hoje, acertadamente hoje, depois do ENEM, muitos ainda descobrirão que sem par linguístico e professores especializados na LIBRAS (L1) e na Língua portuguesa enquanto L2, os alunos surdos não aprendem.Que a extinção da escola do LIONS pelas autoridades ouvintes, foi um retrocesso à sua aprendizagem linguística/bilíngue, aliás,é bom saber que só Vitória da Conquista cometeu tal atrocidade educacional, os outros espaços transformaram-nas em escolas bilíngues.

Mas, que acima de tudo,eles são pessoas que sonham todos os sonhos possíveis a todo ser humano e que o ENEM sabiamente os colocaram na situação de MAIORIA linguística neste momento, pois eles, sim,sabem contar em LIBRAS/Língua Portuguesa (L2) de cor e salteado sobre os "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil".

Acorda Brasil, ainda h√° tempo para rever posturas antag√īnicas e ultrapassadas que fingem "incluir" o homem surdo na escola que n√£o faz inclus√£o, pois , salvo algumas exce√ß√Ķes, s√£o os int√©rpretes, pela lei da humaniza√ß√£o educacional , que assumem os alunos por todos os anos letivos.

O ENEM,com a correção e divulgação de notas da redação, ainda irá polemizar, problematizar e provocar um ciclo de debates que nos levará a refletir e repensar pausadamente e muito sobre a vida da pessoa surda no Brasil, além é claro, de dar mais visibilidade a esta gente linda que fala delicadamente e sabiamente utilizando as mãos.

Acredito, que a educação da pessoa surda daqui para frente será contada verdadeiramente e integralmente nos mais diversos espaços sociais ( cursinhos pré- vestibular principalmente) , por várias mãos, agora açoitadas e impulsionadas pelo BOOM de perguntas que requereu respostas linguística, socio-educacional e histórico-cultural reflexivas e argumentativas na produção textual da redação do ENEM.

Beijoosss Magno Prates , Viviane Marques, Henry Oliveira , Thais Amorim, Paulo Mateus Ferraz, Murilo Rocha, Hayala Ram√°, Gislaine ,Diego Matos, Mateus Armenio, enfim aos amigosfaces e toda comunidade surda brasileira.

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